sábado, 5 de outubro de 2013

A Linguagem de Deus - Parte IX



Minhas anotações sobre o livro “A Linguagem de Deus”, de Francis Collins – Parte IX






Continuamos na terceira parte do livro com o tema: “Fé na ciência, fé em Deus”.  Vamos ao capítulo 8 onde Collins faz sua avaliação sobre o Criacionismo.

Ele inicia lamentando o desgaste do termo “criacionismo”. (Aliás, a meu ver, tem sido comum que adjetivos transformem-se em substantivos: igreja “católica”, igreja “evangélica”, igreja “universal”. Acontece o mesmo com o criacionismo e essa palavra passou a ter conotação pejorativa no meio científico. É um verdadeiro palavrão. Dawkins chegou a decidir que nunca mais debateria, conversaria nem mesmo daria entrevistas a criacionistas).

Collins “cai matando” no “Criacionismo da Terra Jovem” (YEC em inglês), aquele que tem uma leitura da criação em dias de 24 horas, da idade de 10 mil anos para a terra, da criação por Deus de todas as espécies, da criação por Deus de Adão e Eva no Paraíso. Diz que o YEC alega que a evolução é uma mentira - não é; que o cálculo de idade por radiação é falho - não é; que a segunda lei da termodinâmica anula a evolução - não anula; que os homens conviveram com os dinos – não, os dinos foram extintos milhares de anos antes do homem aparecer no cenário; que os “elos perdidos” nunca foram encontrados simplesmente porque não existem - existem e muitos foram encontrados; que a universalidade do DNA é prova de que Deus criou a vida com uma base comum – não, é prova de que a vida evoluiu de um ancestral comum; que a microevolução é aceitável mas não a macroevolução (uma espécie transformar-se em outra). 

Collins não deixa margem para negociações: o YEC é totalmente incompatível com a ciência pelo que se sabe hoje. Caso as alegações do YEC fossem verdadeiras ciências como a química, a física, a biologia, a geologia e a cosmologia seriam totalmente destruídas. O YEC é tão absurdo, segundo Collins, como 2+2=5.  Diz que é quase incompreensível ser esta visão defendida por cerca de 45% da população de um país tão desenvolvido cientificamente como os States. Talvez por respeito, reconhece a sinceridade dos religiosos defensores do YEC, mas credita-a ao medo que eles têm de que a ciência venha a destronar Deus, ou simplesmente a um fundamentalismo cego e ilógico.

Collins é contrário a interpretações literais do Gênesis. Diz que isso não é necessário à fé cristã. Diz que nunca houve consenso cristão sobre o tema, mesmo séculos antes de Darwin. Chama Santo Agostinho em defesa de uma leitura alegórica de Gênesis 1 e 2. Diz que o literalismo de hoje parece ser mais uma reação ao darwinismo do que matéria de fé. Cita várias passagens bíblicas onde a leitura literal cria dificuldades. Volta a questionar o medo dos fundamentalistas com o mesmo argumento de capítulos anteriores: se Deus existe mesmo e é mesmo onipotente, poderia a ciência destruí-lo?  Collins critica mais duramente o YEC por ter criado argumentos absurdos em sua defesa, como o de que Deus teria criado todas essas provas falsas que a ciência está encontrando apenas para despistar, confundir os incrédulos e testar a fé dos crentes. Segundo ele o YEC chegou ao suicídio intelectual, seja como ciência, seja como teologia, ao elaborar essa imagem esdrúxula de Deus como um trapaceiro cósmico.


Collins termina esse capítulo com um chamado à razão: concorda que é preciso resistir como todas as forças ao domínio do materialismo reducionista, mas não com base em argumentos irracionais.

Assim, ao que parece, para Collins, o Criacionismo também é um palavrão.  Nos capítulos seguintes ele trata do DI (Design Inteligente) e da BioLogos. Suas ideias sobre Adão e Eva ficam mais claras: eles não seriam os únicos seres humanos na terra quando Deus “os criou”. 

Curioso?  Aguarde...

Que subam as letrinhas...

Nenhum comentário:

Postar um comentário